Já está disponível, no site da FENAJ, a coletiva virtual com os dois candidatos à presidência da Federação. Dorgil Marinho e Sérgio Murillo de Andrade respondem aos entrevistadores e falam sobre os programas das duas chapas. Para conferir a coletiva na íntegra, clique aqui.
Vitor Ribeiro, diretor do “O Jornalista”, participou da coletiva da FENAJ. Ribeiro inicialmente agradeceu a participação das duas chapas no debate promovido anteriormente pelo "O Jornalista", que durante dez dias publicou as respostas das perguntas formuladas às duas chapas (confira aqui) e apresentou um questionamento sobre os maus jornalistas. Veja a pergunta e as respostas abaixo:
Pergunta: “Todas as profissões são compostas de bons e maus profissionais. A nossa não é uma exceção. Ocorre que os maus jornalistas, apesar de censurados pelas comissões de ética, sequer são suspensos ou impedidos do exercício da profissão. Vocês não acham que a sociedade merece ter uma proteção contra o mau profissional? As Comissões de Ética da OAB e do Conselho de Medicina, por exemplo, suspendem os maus profissionais e até os proíbem do exercício da profissão. É bom para a sociedade democrática que nós e nossos patrões continuemos acima do bem e do mal, sem sérias e efetivas punições éticas?”
Sérgio Murillo (Chapa 1 - “Orgulho de ser FENAJ”) – Vitor, mais uma vez, aproveito a oportunidade para destacar o excelente trabalho desenvolvido por você na condução do site O Jornalista. Sua pergunta traduz uma das principais razões da necessidade de constituir um conselho profissional para o jornalismo. Temos um excelente código de ética - em processo de atualização - mas muitos limites para aplicá-lo. É, no mínimo, hipocrisia e burrice transferir exclusivamente para a Justiça a responsabilidade de resolver conflitos eventuais entre a sociedade e a imprensa. A maioria dos países democráticos tem conselhos de imprensa, semelhantes ao CFJ, que funcionam como meios de assegurar a responsabilidade social da mídia. Além do mais, um órgão profissional, formado por jornalistas eleitos por seus pares de modo direto, pode analisar com propriedade estes eventuais conflitos e identificar a interferência das empresas, seus diretores e compromissos políticos e econômicos, muitas das vezes os principais responsáveis pelos delitos de imprensa.
Dorgil Marinho (Chapa 2 – Luta FENAJ), – A Chapa 2 propõe, no item 9 de seu Programa: “Valorização, pela Fenaj, da Comissão Nacional de Ética (CNE), alterando-se o Estatuto da Fenaj de modo a permitir-se a participação da sociedade civil. A Fenaj deve manifestar-se de maneira equilibrada, mas com firmeza, nas controvérsias de natureza ética que envolvam a profissão. Embora não disponha de poder legal, a CNE poderá sinalizar para a sociedade, com forte apelo simbólico, a posição da categoria diante de comportamento inadequado de jornalistas e também de meios de comunicação.”
É preciso que tanto a Fenaj quanto os sindicatos filiados tomem posição firme diante de distorções na prática do jornalismo, mas isso não vem acontecendo. O episódio Gugu-“PCC” é uma evidência disso. A comissão de ética do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo recusou-se a promover um simples debate do assunto, temendo sofrer um processo, e calou-se. Além disso, a Fenaj tem-se omitido no que diz respeito a jornalistas que assumem o papel de garotos-propaganda de empresas, incorrendo assim em conflito de interesses.
